1 de Dezembro de 2002
Dumêla rra (pós machos) e dumêla mma (pás meninas)
Cheguei!! A viagem foi... chata. Começou com um vôo de 14 horas com filme (mas sem som – obrigado TAP!), “entalado” entre 6 freiras e sem fumar (nicorette olé olé! – as pastilhinhas até funcionam, tive de partilhar com mais 2 portugas à rasca). Quando finalmente consegui adormecer, fui acordado para o pequeno almoço. 2 horas à valente seca em Maputo (dentro do avião), e finalmente cheguei a Johannesburg. Descobrir a zona de fumadores – fumar um cigarro – beber uma pint – e quase que estava em Londres outra vez. É engraçado como tudo (dentro do aeroporto) faz lembrar inglaterra.
Depois... a parte engraçada. Lá íamos os 30 e tais de autocarro para o avião (um bimotor a hélice, de Handeville (??) dash 8 para os entendidos) para Gaborone. Paramos junto ao dito avião, e... todos para a pista, ver as malas a serem carregadas. Passam 10 minutos ao sol (é verão, e bem quente), sai o piloto a mandar-nos para o autocarro outra vez, dizendo que aviões assim ele não vôa, literalmente. Tudo para dentro do autocarro, 200 metros, outro avião igual. Entram os pilotos, saem os pilotos a abrir painéis e a fechar portinholas, olham um para o outro, encolhem os ombros e mandam o pessoal subir. Fazemo-nos à pista, acelerar, travar a fundo. o piloto comunica que se acendeu um “warning”, e eles resolveram não levantar para ver o que era. Mais uma volta, eu adormeci e só acordei no ar.
A paisagem vai mudando gradualmente, e percebe-se que a Àfrica do Sul desbastou muito deste continente. A terra é castanha avermelhada, há crescimento urbano em todo o lado, apesar de ser tudo pré-fabricados (aliás como em Maputo). À medida que se entra, a terra plana vai dando lugar à savana.
Ao aterrar em Gaborone, confesso que fiquei surpreendido com a organização do aeroporto, muito pequeno mas altamente funcional, bem arranjado e muito limpo. Entre aterrar, preencher papelada, obter visto, recolher bagagem e passar alfândega não passou mais de meia hora!! A primeira coisa que se lê, ainda à porta junto à pista (vai-se a pé do avião para o edifício único de um andar) é “ Botswana has ZERO tolerance for CORRUPTION”. Fiquei impressionado. Passando a alfândega, tinha a “khombi” (carrinha de 8 lugares) do hotel à espera. Homem grande, grande sorriso, gente bem simpática. Nota-se que estão à espera da nossa reacção (em conversa com gente de cá foi-me dito que não há crime violento nem racismo neste país – talvez porque quase não havia brancos até que se descobriram diamantes, já o Botswana era independente), e se lhes abrem um sorriso, sorriem de volta e começa a conversa, num inglês engraçado.
No caminho, vêem-se acácias, o típico “bush” que esperava. Ainda por cima quando saímos estava o sol a pôr-se, é de facto um sol enorme e cheio de côr... Uau. Primeiros animais que vi: dois burros (iguais aos nossos), duas vacas (cruzamento duma mimosa com gado autóctone), um cão (só um...estranho) e uma barata gigante (bem lenta, com o calor que faz...). Hoje vou ao Lion Park, ver os meus amigos leões. Bom, mas Gaborone é uma aldeia tornada capital de um dia para o outro, e nota-se. Há dinheiro, há investimento, mas nota-se perfeitamente a aldeia. O centro (onde estou) chama-se centro porque é onde estão os edíficios do governo, e só por isso. O passeio principal (the Mall) ainda nem calcetado está, estão a acabá-lo agora. Não fosse a sida e este país seria “a” promessa africana, percebe-se porque toda a gente diz o mesmo. País de contrastes – todas as estradas são novas e têm duas faixas para cada lado, mas o passeio é de terra. Não há lixo, contrariamente ao que esperava.
Portugal está cá em força, além do Nando’s (cadeia sul- africana presente na Europa e EUA que vende galinha tipo KFC, decorada com galos de Barcelos e bandeiras portuguesas) há outras cadeias tipo KFC com bandeiras portuguesas. Cá devem pensar, de certeza, que fomos nós que inventámos a galinha. O problema é que os preços são iguais aos europeus. E não dá para não dar nas vistas, mesmo eu que sou marroquino/argelino não passo despercebido, mas não me sinto ameaçado. Sinto-me observado, e solicitado, para comprar, falar, de tudo um pouco. Gente muito simpática, até agora. E bom, se puder mando mais notícias. Toda a gente me diz – “Maun?! Mas não há nada lá!!”...
Beijos e abraços,
Rodrigo

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