Thursday, October 05, 2006

Botswana… é llllllá!

Quando se pergunta a alguém onde fica o que quer que seja, o visado (local, ou sueco, como se chamam por aqui), responde invariavelmente apontando: éee.. llllá!, arrastando o ‘l’ e com uma vozinha aguda a terminar o lá. É simplesmente fantástico. Já adoptei o sistema. Não se entende nada (além da direcção geral de onde fica), mas o som é incrível e cai sempre bem. Como ninguém nesta terra sabe onde fica o Botswana, é assim que explico a toda a gente para onde viajo neste momento.

Vou passar primeiro por Jo’burgo, para visitar a Kate (quem não conhece a história da Kate, pode encontrar um post com o nome dela algures nos arquivos – é que vale a pena...), de quem tenho imensas saudades. Levo uns “presies” (presentes ditos à sul africano) para ela e para os putos. Vou ficar aqui só um dia, mais outro à volta, e estou extremamente curioso para saber como têm passado. A Kate largou o Pieter e por conseguinte largou o seu trabalho com os leões (10 anos dele), e anda um pouco à deriva a tentar arranjar soluções. Tem estado muito em baixo e eu quero contribuir para animá-la. Pode ser que se consigam entender, mas toda a situação é incrivelmente complexa. Merecia um post por si só, não fosse a vida particular de um casal de grandes amigos.

A última semana “no Maputo” foi muito produtiva. Consegui falar com toda a gente com quem tinha programado, e mais umas quantas pessoas que não estavam no programa. Toda a gente parece pensar o mesmo que eu em relação ao que é necessário fazer, e o facto é que não têm cá ninguém que se dedique à tarefa. Não existe cá ninguém que estude carnívoros, muito menos veterinários, por isso estou em terreno virgem. A última reunião que tive foi com um membro moçambicano da associação que eu represento (Associação Ciência para o Desenvolvimento), que é o único veterinário que se dedica aos animais selvagens neste país e que gere, do ponto de vista vet, a Gorongosa. Está de acordo comigo sobre o que fazer, mas deu-me todos os factos sobre o país e sobre o que é na realidade possível fazer aqui. Até discutimos a “má fama” que o Pieter e a Kate têm (e que alguém “amigo” lhe deve ter vendido), mas depois de me ouvir acabou por perceber o que se passa.

A verdade é que não existe dinheiro nem pessoal por aqui. Não existe ainda uma estratégia nacional para a conservação no país. Mas assim até dá mais gozo, porque posso contribuir desde o princípio. Já sei onde atacar primeiro, e até como obter as licenças e algum dinheiro para o trabalho inicial. Vou agora fazer o esboço do projecto com o Pieter no campo rodeado dos meus “fury friends”. E de elefantes, concerteza. Chatos. Depois apresento a proposta ao Carlos, o tal vet da Gorongosa, e avançaremos em conjunto desde esse ponto. Ele vai ser o promotor local do projecto, o que faz toda a diferença, por causa das licenças governamentais, tempos de espera, financiamento, etc. É um homem muito respeitado por aqui. E ainda por cima é extremamente competente. Portanto pode-se concluir que correu bem a primeira ronda. Vamos ver a segunda daqui a 2 semanas!

Agora quero ver quantos dos “meus” leões sobrevivem. Quero ver como está o Pieter depois da sua 16ª operação. Qual o ambiente em Maun. Vai ser tudo diferente (este ano, ao contrário de 2005), sem a Kate, sem os 4 putos, só eu, o Pieter e o staff local. E será que é a minha última visita como investigador? Who knows...

1 Comments:

Blogger poca said...

Let´s hope not... Esperemos que ainda voltes ao Botswana muitas vezes como investigador e não só, como co-responsável desse grande projecto.
Continua a dar notícias.
Bjinhos

12:48 pm

 

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