Monday, October 17, 2005

26 de Agosto de 2004


Olá! Atão?

Desde que cheguei a esta terra tem sido um pagode. Valeu a pena esperar 20 meses para cá voltar. Primeiro dia, Sábado, uma girafa morta com uma pata presa numa cerca veterinária que impede o gado de contactar com o gado selvagem, por causa das doenças. Está mal feita a cerca porque os leões escavam e passam por baixo para ir caçar gado, as girafas quase que passam mas metade ficam lá presas por uma pata. Estava envenenada com alguma coisa q cheira intensamente a amónia. Pode ser q seja um pesticida, ou um fertilizante. De qualquer forma colhi amostras e vamos saber brevemente o que é. Vou levar uma parte delas para Lisboa para entregar ao departamento de toxicologia. O resto já foi entregue às autoridades cá. Acontece, obviamente, porque a competição vida selvagem - gado pende sempre para o lado do homem, ou seja, do gado. Andamos nós a tentar mudar a cerca, mas... Enfim. Se nem em Portugal com o lince ibérico, quanto mais aqui?

No segundo dia (domingo) fomos experimentar a moto 4 pequenita que a Kate (são 6: Pieter (biólogo geneticista) Kate (actriz, bióloga, etc.) e os filhos dela: Oakley, Maisie, Angus e Travers) deu ao mais novo, o Oaks. Fizemos umas rondas e parecia estar tudo bem. Calhou-me a mim ir dar uma volta... Quando parei (a meio do Okavango, mas numa área não protegida, claro), a Kate gritou para virmos depressa. O que era? Um leão, claro, deitado à sombra de uma acácia. À primeira, segunda e terceira vista parecia uma termiteira... E como se chama o leão (já o conheciamos)? Port. Todos os nossos leões têm nomes de vinhos. Porto, não é irónico? Nem se mexeu. E ainda bem.

Terceiro dia, saímos cedo para procurar leões. Encontrámos o Rioja, o Roderer, e o Riscal, 3 aninhos e meio, 120Kg cada. Três anestesias, três amostras. Voleybol e depois pescar no rio a 100 metros do campo, no Gomoti. Um peixe-gato de 1 Kg em 5 minutos de banho à minhoca. Ficou escuro, demasiado mosquito, bora pra casa. Dia seguinte leões, outros animais, mais uma amostra (outro macho, o Monterey, 8 anos), mais voley.

Hoje, laboratório em stress. Muito mais stress no laboratório do que a anestesiar leões, acreditam? Chiça, todo e qualquer equipamento que eu uso está prestes a rebentar. Parece e sôa a isso. Mete medo mas tem corrido bem. Já cá cantam 4 culturas de células das 20 que eu queria levar pra casa. 1/5 do trabalho na primeira semana não está mal. A ver vamos...

Tem sido bom. Está tudo a resultar como esperado. O tempo está óptimo (30 graus à tarde, 10 à noite, mosquitada mas muito menos do que esperava). Está lua cheia. E anda tudo bêbado (tradição cá da terra). Para ajudar, está cá o principe Harry, o de Inglaterra, com um monte de amigos, e hoje é a festa de 20 anos do principezinho. Todo o mundo convidado. Espero que seja o gajo a pagar. De resto, pouco. Mas não é preciso muito mais.

Saudades de todos, espero que estejam todos óptimos. Abraços e beijos!

Rodrigo

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