Wednesday, December 21, 2005

M.I.A., presumed dead



Desta vez foi o Rioja. Filho da Freixenet e do Inferno, nasceu com o Riscal (ainda vivo) há 4 anos. Nasceu com óptimo aspecto, nunca pareceu fraco ou medroso. A mãe amamentou-o durante 6 meses, e apartir daí tomou as coisas com as próprias garras e dentes. Eu apanhei-o com 8 meses, e das três crias (Juntava-se-lhes então o Roderer, entretanto desaparecido) que estavam na minha primeira imobilização de leões de sempre, foi a que lutou mais contra a anestesia. Fez-me andar a rabiá-lo com uma seringa de anestésico na mão, na tentativa de lhe aprofundar a anestesia para se poder trabalhar com ele (precisávamos de saber várias coisas sobre o vírus que andamos a estudar, e este foi o primeiro leão a mostrar-nos que há leões infectados com o FIV aos 6 meses de idade). Levou a coisa na brincadeira (eu lhes garanto que não), a tentar dar-me patadas nas pernas e morder-me os calcanhares - o rapaz não é fácil, pensava de mim para mim.

Quem leu o post 29 de Agosto de 2005 lembra-se da maneira como descrevi a juba minúscula do Rioja. De que já tinha quase 4 anos, mas se comportava como um gatinho. Da trabalheira que nos deu encontrá-lo dia após dia. Era sempre uma excitação trabalhar com ele porque era imprevisível, apesar do olhar doce e da familiaridade que já tinha conosco - e as horas que passei a vê-lo brincar com os companheiros de ninhada e restante (muito paciente) grupo.

Queriamos tirar-lhe a coleira porque já tinhamos aprendido o que havia a aprender com um leão sub-adulto, que agora se ia transformar num leão nomádico em busca de territórios e fêmeas por outras paragens. Mais tarde provavelmente voltaria para territórios vizinhos aos originais, mas a coleira não iria servir de nada - ainda para mais iria apertar-se à medida do crescimento da juba.

A coleira do Rioja foi encontrada cortada (e não rasgada, ou mordida) junto à vedação veterinária que divide as pastagens do gado do parque de Moremi. Onde ficam mutos animais presos (porque está mal feita a vedação), que depois são aproveitados pelas populações locais para encher de veneno, numa tentativa de reduzir as perdas nas suas manadas. Muitos leões perdemos já por causa da vedação e do veneno, e hienas, leopardos, chitas, abutres, chacais, servais e sei lá que mais. Contingências. Como era, senhor Bush, collateral damage? Pois...

O Riscal agora está só. O que não lhe deixa grandes perspectivas de futuro. Se tiver sorte encontra outro macho sub-adulto nas mesmas condições que ele, ou dois, e forma uma nova coligação. Se não tiver vai acabar como o Rioja. Hoje, ao jantar, vou beber a última garrafa de Marqués de Cáceres - Rioja 2001, o ano do seu nascimento. Foi uma excelente colheita...

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