o Estado e o Lince
Parece provável, neste momento, que o projecto de reprodução em cativeiro de lince ibérico vá para a frente. Já nasceram 6 crias este ano, e se descontarmos 1 nado-morto e um prematuro que não aguentou (filhos da Aliaga, fêmea de 2 anos e considerada juvenil), mesmo assim conseguiram em Espanha que se engravidassem 3 das 7 fêmeas que temos (está uma em Jerez de la Frontera, mas já sabem, nada).
4 crias é exactamente o dobro do que se produziu o ano passado (repito-me neste blog, desculpem-me). Duas fêmeas (a Castañuela e a Camarina) estão bem e com a mãe, a Saliega. Duas crias nasceram de Esperanza, uma boa surpresa, mas ela rejeitou uma ao fim de 24 horas. Tem estado na incubadora e ganhou 200gr em 7 dias!! Passou a 380. Só na próxima 2ª Feira se pode começar a ficar confiante, mas parece tudo bem encaminhado. As populações no campo têm andado muito bem, e este ano parece que vamos aumentar o efectivo total. Deve ser a primeira vez nos últimos 100 anos, para que tenham noção da conquista que é.
Tecnicamente parece que a coisa vai lá, se considerarmos este o ano 1 do projecto. Assim, as necessidades de espaço para colocar os fundadores necessários para o projecto são cada vez maiores. Agora a situação de Portugal:
Portugal submeteu uma proposta à Comissão Europeia para a construção da barragem de Odelouca. Esta barragem estava parada por um reclamação da LPN defendendo que a barragem inundaria um Sítio Natura 2000 e a comunicação entre dois alegados territórios de reprodução de lince-ibérico, entre outros. A CE concordou e paralisou a obra, cortando o financiamento.
Portugal submeteu então à CE um projecto de compensação ambiental, prometendo restaurar habitat na zona de influência da barragem e programas de conservação de espécies: uns peixes autóctones, a àguia de Bonelli, e o lince. Pegaram no projecto de conservação ex situ que fizémos (eu e uns AMIGOS, desses de letra grande), que fala da restauração de habitat, reprodução em cativeiro e futuras acções de re-introdução para o lince, e prometeram financiar tudo por 25 anos. A CE aprovou, e de momento decorrem contactos preliminares com a Junta de Andalusia e o ICN para a formalização de um protocolo de cedência de linces, a assinar pelo MAOTDR e ministério do ambiente espanhol - a primeira prioridade do plano que elaborámos.
Daqui a 2-4 anos, se os espanhóis assinarem os protocolos (e estão pressionados a isso pela CE, que lhes ameaça cortar financiamento paraa conservação do lince), teremos cá bichos - assim a santa reprodução o permita. Seria uma ocasião de ouro para fazer avançar a conservação do bicho cá. Enfim, eu estou entusiasmado. Mas a ver vamos. Passo a passo... ;)

1 Comments:
Muito bem, Mogli... mas contraponho com uma notícia veiculada hoje no Público (para leitura completa sugiro uma espreitada a Público.pt (05.05.06)
Deixa-me que chame a isto "o Estado e as Couves":
"Erro do ICN permitiu construção de parque eólico espanhol numa área protegida em Bragança
05.05.2006 - 09h47 Lusa
O arquivamento indevido de uma informação no Instituto da Conservação da Natureza (ICN) permitiu a instalação, sem avaliação ambiental, de um parque eólico espanhol junto a uma área protegida em Bragança.(...)"
Continua o bom trabalho (e as comunicações frequentes do que vais fazendo). São precisos mais gajos como tu em Portugal!
2:20 pm
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